King Border

Saúde e Genética

Antes da aquisição de um filhote, além da identificação com a raça e com o criador, é importante informar-se sobre doenças de maior prevalência na raça escolhida e, principalmente, se há o controle das mesmas por parte do canil de origem de seu filhote.

Neste link, estão resumidas as principais afecções que podem acometer o border collie caso não haja um controle genético responsável e adequado na seleção de matrizes e padreadores utilizados no plantel.

É importante salientar que todos os nossos cães são testados e livres de quaisquer desses males, garantindo, portanto, a mesma isenção em nossos filhotes.

CEA (Collie Eye Anomally)

A hipoplasia de coróide é um distúrbio ocular de caráter genético recessivo. É marcada pelo desenvolvimento anormal da coroide, região abaixo da retina, responsável pela irrigação sanguínea dos olhos. Geralmente é uma afecção diagnosticada com o animal ainda muito jovem, não havendo cura ou tratamento.

O diagnóstico pode ser feito em animais com 5 a 8 semanas de vida, com o exame de fundo de olho feito por uma oftalmologista veterinário. Alguns animais podem ter alteração leve da coróide e manter a visão normal durante a vida, porém são animais com potencial para produzir ascendentes afetados com gravidade maior. Em outros casos pode se apresentar de maneira grave, com a presença de colobomas, com possíveis hemorragias no interior dos olhos, podendo causar déficit importante de visão, sendo rara a perda total da mesma.

O desenvolvimento das anormalidades é adjacente ao dos olhos, mas estaciona sua evolução junto do final do desenvolvimento ocular, com 8 a 12 semanas de vida.

O cão afetado é homozigoto recessivo, e uma mutação já identificada do cromossoma canino 37 é responsável pelo aparecimento da doença. O cão com apenas uma cópia mutante do gene é apenas transportador da doença, sendo, o heterozigoto, saudável.

O teste genético é utilizado para a identificação dos animais carreadores do gene e planejamento adequado dos acasalamentos, afim de evitar a doença no plantel. Padreadores e matrizes homozigotos dominantes, gerarão filhotes obrigatoriamente livres da doença e sem necessidade de teste para identificar o gene da mesma. Já um cão heterozigoto ( que apesar de carrear o gene mutante é saudável ) poderá cruzar apenas com homozigotos dominantes ( livres do gene mutante ). Assim, gerará, certamente, filhotes livres da doença, mas podem, ou não, ter herdado o gene mutante de um dos pais.

TNS (Trapped Neutrophil Syndrome)

É caracterizada pelo defeito no transporte dos neutrófilos (células de defesa), tornando o organismo incapaz de combater infecções. A sobrevida desses animais é baixa e os sintomas apresentados vão depender do local da infecção.

Podem ser facilmente confundidas com doenças virais como parvovirose. Seu diagnóstico é difícil, sendo frequente a anorexia, vômitos, diarreia sanguinolenta ou outros sinais de acordo com a localidade da infecção. O teste genético dos padreadores e matrizes é importante para a exclusão da doença do plantel. Os doentes são homozigotos recessivos e os animais heterozigotos são saudáveis.

CL (Neuronal Ceroyd Lipofucinosis)

A Neuronal Ceroyd Lipofucinosis é um distúrbio de depósito lisossômico em diversas células do corpo do animal, levando a neurodegeneração progressiva, principalmente no sistema nervoso e olhos, resultando em deficiência neurológica grave e a morte prococe. Os cães afetados são normais ao nascimento e começam a apresentar os sintomas com 1 a 2 anos de idade. Os principais sintomas são perda de coordenação motora com convulsões, declínio cognitivo e alterações de comportamento. Pode ocorrer também deficiência visual. Não há tratamento ou cura para a doença.

A CL tem caráter genético recessivo, estando cerca de 3% dos Borders de descendência Australiana portadores do gene, e apenas 1 a cada 1000 acasalamentos produzem filhotes doentes.

A identificação dos portadores do gene pode se dar por teste genético, devendo ser testado principalmente os animais que tenham antecedentes carreadores do gene. Os cães heterozigotos são apenas carreadores da doença, não apresentando sinais clínicos da doença. Estes devem ser cruzados com outros animais que não carreiam o gene, evitando assim o aparecimento da doença na ninhada. Os doentes são homozigotos recessivos.

Displasia coxofemoral

Displasia coxofemoral (DCF) é uma doença hereditária e consiste em lassidão/frouxidão da articulação do quadril e desenvolvimento de osteoartrose, sendo a doença ortopédica mais comum em cães.

Afeta diversos mamíferos, entre eles os cães, gatos e os humanos. Os cães são mais comumente afetados, sem predisposição para sexo ou porte, apesar de haver relatos de alta prevalência em raças grandes e gigantes (Bernese, Boxer, Golden, Pastor Alemão, Larador, Rottweiller, Pug, Bulldogs, etc.).

A lassidão da cápsula e dos ligamentos envolvidos na articulação são características constantes na displasia coxofemoral, tendo relação direta com o desenvolvimento da osteoartrose.

Os sinais da displasia coxofemoral geralmente se manifestam com a redução da atividade do animal associado a graus variados de dor articular. Esses sintomas costumam aparecer entre 4 meses e 1 ano de idade. Animais jovens tendem a ter uma marcha alterada e andar “rebolado”, colocando os membros posteriores mais à frente e deslocando a força de apoio para os membros anteriores. Outra manifestação consiste no “andar/pulo de coelho”, em que o animal displásico corre movendo as duas pernas juntas.

Com a progressão da doença, o cão tende a ter dificuldade de levantar após sentar ou deitar, subir escadas, além da dor à manipulação da articulação também ser comum. A doença é progressiva e muitas vezes limitadora de atividades (incapacitante) – a dor é um dos limitantes para a movimentação normal -, mas alguns cães apenas apresentam um pequeno desconforto apesar das anormalidades articulares.

Como é uma doença genética, o diagnóstico ideal seria através do mapeamento genético para a identificação dos genes. Porém, na nossa realidade o exame físico preliminar e a avaliação radiográfica são os métodos diagnósticos.

O tempo é um fator importante. As estruturas do quadril, entre elas as articulações coxofemorais, não estão maduras em filhotes e jovens, o que prejudica um diagnóstico confiável precoce.

A displasia coxofemoral é desenvolvida a partir de um ajuste pobre da cabeça femoral no acetábulo, que permite o movimento mais livre com pressão articular alterada. Isto resulta em dano articular, inflamação e dor. O volume de líquido sinovial aumenta e o ligamento redondo que liga a cabeça do fêmur ao acetábulo torna-se espessado.

A cartilagem articular, normalmente lisa, que cobre as extremidades da cabeça do fêmur e o acetábulo ficam lesionadas e enfraquecidas, e cápsula articular, torna-se inflamada e espessada. Os músculos da região da articulação do quadril atrofiam e podem ser afetada por outras maneiras também. Conforme a doença progride, os ossos também são danificados, e esporões ósseos chamados osteófitos crescem na interface osso-cartilagem. Todo o conjunto é estruturalmente enfraquecido e doloroso. Essas são as características da osteoartrose, também conhecida como doença articular degenerativa.

É sabido que a DCF é uma caractéristica complexa, ou quantitativa, com um componente genético e ambiental. Recentemente, alguns estudos foram publicados definindo as regiões do genoma do cão que contêm os genes que contribuem para a DCF. Essas regiões são conhecidas como locus de características quantitativas (QTL). O problema é que essas regiões cromossômicas do QTL são inicialmente definidas de forma muito ampla, que contém centenas de genes em adição aos que contribuem para a DCF. Há pelo menos dois e, possivelmente, até 12 cromossomos caninos que abrigam o QTL para a DCF. Como os descendentes podem herdar genes em múltiplas combinações de alelos favoráveis e desfavoráveis, é fácil entender que dois cães "normais" poderiam inesperadamente produzir um filhote displásico.

O momento do aparecimento e progressão da taxa a DCF são influenciados pela taxa de crescimento dos cães. Diminuindo a taxa de crescimento durante os primeiros meses de vida pode diminuir a gravidade da DCF e talvez até mesmo preveni-la.

Animais com sobrepeso em geral apresentam 46% mais displasia que animais que tem uma dieta restrita e se encontram dentro do peso ideal. Alimentar os cães para limitar o peso é aconselhável. Esta ação, no entanto, não altera a susceptibilidade genética para a DCF.

O método de diagnóstico radiográfico preliminar é realizado a partir dos 12 meses de idade, com avaliação definitiva a partir dos 24 meses.

A raça Border Collie, atualmente se encontra na 98ª posição do rankinga da OFA de animais com displasia com um total de 13,2% dos animais avaliados considerados displásico. Sendo que, levando em consideração apenas os animais nascidos entre 2006-2010, esse número cai para 7,9%.

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